ARTIGO: ESPELHO À NOSSA FRENTE

Lenarte Azevedo*

Toda crise tem o condão de trazer à baila reflexões importantes. Neste cenário, a profunda anormalidade que a Polícia Militar vem passando, me fez pensar sobre algo que nós militares tomamos como princípio absoluto e indisponível: a paridade(igualdade) entre os ativos e inativos.

Mas, até então, não tinha ideia da real dimensão desse princípio, que a nós é resguardado legalmente. Só me apercebi da necessidade da manutenção dele, ao ver diversos reservistas comparecerem ao Batalhão, onde sirvo, para buscarem cestas básicas doadas pela comunidade.

Eram velhos guerreiros, rugas profundas em seus rostos, cabelos brancos amarelados, mãos calejadas de muitos anos empunhando armas, andar lento, coluna curvada, marcas indeléveis do sacrifício juramentado à sociedade.

Percebi, ainda, a fragilidade que a velhice traz para aqueles que conseguem atingi-la , após duros 30 anos de abnegação. Vi também a necessidade de garantir a esses velhos guerreiros – ex-combatentes da guerra diária – que hoje cabe a nós da ativa lutar e assisti-los, pois, ainda temos força e saúde para manter a peleja, já que a pujança deles se esvaiu pelo passar implacável dos anos.

Tudo isso funcionou como um espelho, levando-me a um futuro que espero poder chegar, em que os jovens lutem por seus velhos, assim como no presente, não permitimos em nenhum momento a quebra do princípio da paridade e o abandono daqueles que um dia tanto batalharam por nós.

 

 

*Lenarte Azevedo é capitão da Polícia Militar/RN

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2 respostas para “ARTIGO: ESPELHO À NOSSA FRENTE”

  1. Alexandre Florêncio disse:

    Oficial de inteligência e da inteligência.

  2. Geilton Protásio Bentes disse:

    Parabéns pelo texto. Para completar, parafraseando o poeta João Nogueira quando compôs a música além do espelho: “meu medo maior é o espelho se quebrar”.

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