DELEGADOS ALERTAM PARA EMPRÉSTIMO PEDIDO POR GOVERNO

CARTA ABERTA

A Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Norte- ADEPOL e Associação dos Escrivães de Polícia- ASSESP vêm a público manifestar profunda preocupação em relação à mensagem nº140/2017 encaminhada pelo Governo do Estado à Assembleia Legislativa do RN, tanto pela completa ausência de transparência como pela aparente falta de priorização com a segurança pública potiguar.

No último dia 23 de Agosto de 2017, o Governo do Estado solicitou à Assembleia Legislativa uma autorização para contratar operação de créditos (empréstimo) com a Caixa Econômica Federal “até o valor de R$ 698 milhões de reais” supostamente para a execução de projetos nas áreas de transporte, saneamento ambiental, desenvolvimento industrial, segurança e saúde.

Ocorre que a mensagem Governamental sequer detalhou a destinação de tal montante, e, na prática, solicita que a Assembleia Legislativa autorize um “cheque em branco” para que o Governo possa gastar quase 1 bilhão de reais, onde, como e quando quiser.

Em relação aos investimentos na área da segurança, mais uma vez o Governo do Estado nocauteou a investigação criminal, não havendo no pedido de empréstimo qualquer menção de investimentos na polícia civil, instituição essa que vem sofrendo há anos com a ausência de recursos, o que acaba por fomentar a impunidade e, por sua vez, a criminalidade em nosso Estado.

É preciso deixar absolutamente claro à população potiguar: Segurança Pública se faz com investimentos! Ou ocorre uma conscientização da gravidade da situação e toma-se as medidas necessárias diante da “guerra civil” na qual estamos imersos, ou nenhum gestor e nenhuma alteração legislativa conseguirá reduzir os índices de violência no Estado.

Acrescente-se que a referida mensagem governamental ainda previu como “contragarantia do empréstimo”, as receitas oriundas de arrecadação de tributos que são utilizados para pagar o salário do funcionalismo público, o qual notadamente se encontra atrasado de forma abusiva e desrespeitosa!

Sendo assim, CONCLAMAMOS toda a classe política, bem como a população norte rio-grandense a EXIGIR do Poder Executivo maiores esclarecimentos no que tange a destinação detalhada que será dada aos recursos que venham a ser disponibilizados a partir do pedido de empréstimo, cuja autorização foi solicitada a Assembleia Legislativa através da mensagem n. 140/2017, notadamente quanto aos reais investimentos a serem realizados e o quantitativo que será destinado ao sistema de segurança pública.

Por fim, A ADEPOL e ASSESP se solidarizam com as famílias das 1600 vítimas de homicídios registrados até hoje no Estado e lamentam profundamente que o Governo solicite a autorização para realizar empréstimo de quase 1 bilhão de reais, sem se preocupar em destinar recursos para investimentos e estruturação na polícia que irá investigar tais crimes.

É inaceitável que o maior apelo da sociedade que clama por melhorias na segurança não sejam priorizados, por isso rogamos a todos os DEPUTADOS ESTADUAIS que sejam imperativos em exigir o detalhamento dos investimentos que o governo pretende realizar com tais recursos, bem como seja priorizada a destinação de parte destes na reestruturação da polícia civil, ITEP e todo sistema de segurança pública do Estado, como medida de respeito à transparência, publicidade e eficiência na utilização dos recursos públicos.

BARROS DIAS, ACUSAÇÃO E DEFESA

Preso preventivamente, o desembargador federal aposentado Francisco Barros Dias é acusado pelo Ministério Público Federal e a Polícia Federal de receber R$ 150 mil para votar favoravelmente à soltura e desbloqueio de bens do advogado Rychardson Macedo, condenado por desvio de dinheiro no Instituto de Pesos e Medidas(IPEM) do Rio Grande do Norte.

 

Barros Dias foi juiz federal e estava sendo investigado há pelo menos três anos. Como qualquer réu, terá direito a se defender e não está condenado nem deve ser linchado moralmente.

QUEM É EX-DESEMBARGADOR DA OPERAÇÃO DA PF

O ex-desembargador federal do TRF da 5a Região envolvido  na operação que apura venda de sentenças é Francisco Barros Dias, potiguar recentemente aposentado.

CNJ APOSENTA JUIZ DO RN

Em julgamento de processo administrativo decorrente de representação feita pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu por unanimidade, pela aposentadoria compulsória do juiz de Direito José Dantas de Lira, que atuava na 1ª Vara Cível da comarca de Ceará-Mirim.

Pelos mesmos fatos da representação julgada nesta terça-feira pelo CNJ, o juiz José Lira já estava afastado do cargo de juiz de direito da 1ª vara cível de Ceará-Mirim, por decisão do desembargador Cláudio Santos, em ação penal que tramitava no Tribunal de Justiça do RN e que foi remetida ao Supremo Tribunal Federal (STF), tendo em vista a suspeição de mais de dois terços dos membros do Tribunal. No STF, a decisão de afastamento do magistrado foi ratificada pelo ministro relator Luís Roberto Barroso.

blog Heitor Gregório

AZEVEDO E O GOVERNO DA SEGURANÇA QUE MASSACRA A PM

 

Justiça seja feita à Inter TV Cabugi(afiliada Rede Globo). Foi o único veículo de comunicação a registrar, com a devida importância, o discurso revelador do ex-comandante da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, Coronel André Azevedo, ao transmitir o cargo ao sucessor, Coronel Osmar Oliveira.

 

Azevedo disse o que tinha vontade mantendo a impecável postura militar. Fez revelações importantes, que seriam notícias aqui e na China, mas foi ignorado, certamente pela pauta extensa da mídia local. Declarou, de peito aberto, que o custeio(manutenção da PM), foi reduzido de R$ 35 milhões para R$ 24 milhões em 2017 no Orçamento deste ano. Ou seja, o Governo da Segurança desmantelou, por conta e vontade próprias, a tropa encarregada de combater de frente o crime.

 

“A PM DO RN ESTÁ FAZENDO MAIS COM MENOS”.

 

Inteligente, Azevedo transformou a frase em marca de sua despedida e do quadro terrível por que passa a corporação. O Governo do Estado cometeu um erro ao convidar Azevedo ao Comando, Ao contrário de alguns dos seus antecessores, ele tem personalidade firme e foge do estereótipo do subalterno aos interesses de quem não lhe amarra os coturnos em conhecimento técnico.

 

Algumas frases que a imprensa perdeu:

 

“Agradeço ao governador, a gentileza de constar no ato de exoneração, o termo, “a pedido”, quando sabemos que isto não ocorreu.”

 

“A instituição apresentava desestímulo e insatisfação com o atraso do pagamento de diárias operacionais, atraso na realização das promoções, desmotivação  do oficialato, considerando a falta de ascensão profissional, de munição e equipamento para o serviço”.

 

“Coincidência ou não, a redução do custeio da PM foi acompanhada pelo aumento dos indicadores da violência”.

 

Merece leitura uma reflexão de Azevedo ao final, quem sabe uma analogia à desproporção favorável à Polícia Civil no tratamento oficial:

 

“Macacos não gostam muito de injustiças e abandonam seu trabalho se percebem que outro está recebendo uma recompensa maior pelo mesmo serviço. A descoberta foi feita por cientistas norte-americanos da Universidade Emory, em Atlanta e publicada numa edição da Revista Nature em 2003”.

 

“A pesquisadora Sarah Brosnan ensinou um grupo de macacos-prego(Cebus Apella), a trocar moedas de plástico por comida.Em condições normais, eles ficavam felizes em receber uma porção de pepino por uma moeda. Mas se outro macaco recebia uma uva ao invés de pepino, os demais macacos ficavam muito ofendidos. Os injustiçados se recusavam a entregar sua moeda ou então rejeitavan a recompensa. Alguns ainda atiraram a moeda ou o pepino para suas jaulas. O ressentimento era maior ainda, se outro macaco recebia uma uva, sem dar nada em troca. Nesse caso, cerca de 80% dos macacos se rebelava de alguma forma”.

 

Aqui, acho que Azevedo superestimou a capacidade cognitiva de o governador entender a metáfora. Governador que, claro, escapuliu e não compareceu à transmissão de comando. Jogou a Secretária de Segurança Pública, delegada Sheyla Freitas, ao constrangimento.

COMANDANTE E COINCIDÊNCIA

Fernando Freire e o então Capitão Osmar

 

A vida é uma roda. Que gira. O novo comandante-geral da PM, Coronel Osmar Oliveira, terá como responsabilidade a guarda do ex-governador Fernando Freire, preso no Quartel da Polícia. Osmar conhece bem Freire. Foi seu ajudante-de-ordens quando este governou o Rio Grande do Norte de abril até dezembro de 2002.

DELATOR NO EXTERIOR

O empresário Fred Queiróz, delator do ex-ministro Henrique Alves, pode ir morar em Cingapura(e não na Austrália) onde reside um irmão. Por enquanto, hipótese. Tudo depende da decisão da Justiça Federal.

AMIZADE, DINHEIRO E DELAÇÃO

O caso de Fred Queiroz, delator do ex-ministro Henrique Alves e de uma penca de políticos,  consagra a frase de Michael Corleone, padrinho vivido por Al Pacino no último filme da trilogia O Poderoso Chefão. “Amizade e dinheiro, água e óleo”.

A confiança em Fred vinha dos anos 1990 e quase lhe garante a cadeira de vice-prefeito de Natal. Prestigiar amigos somente amigos ainda é um tabu para muitos na política.

Ainda sobre a delação, blogueiros resolveram amenizar com títulos suaves: Fred relaciona prefeitos; Fred lista prefeitos; Fred aponta políticos. Delator não relaciona, lista ou aponta. Delator dedura.

NATAL HÁ 40 ANOS

No dia 29 de agosto de 1977, Natal, com seus 300 mil habitantes, acompanhava pelas rádios e jornais a vitória do América sobre o Potiguar de Mossoró por 3×0 no Castelão em jogo de abertura do terceiro turno do Campeonato Potiguar, gols de Aluizio Guerreiro(2) e Marinho Apolônio.

Na política, o deputado estadual Garibaldi Filho(MDB), apresentava emenda ao Estatuto do Magistério incluindo gratificação aos professores da Zona Rural.

Já o deputado Nélson Queiróz(Arena), protestava pela falta de condições de trabalho aos parlamentares para atender suas demandas.

A polícia concluía inquérito apontando legítima defesa dos PMs que mataram o pistoleiro Zé Cearense, que fugiu da Delegacia de Plantão, baleou gravemente um soldado, atingiu outro até ser atingido por um terceiro.

O governador Tarcísio Maia anunciava a construção de 11 hotéis, entre os quais o Thermas, de Mossoró, dando início ao processo de interiorização do turismo no Rio Grande do Norte.

 

 

 

 

PODER E A “MÍDIA AMIGA”

Acompanho eleições desde 1978 no Rio Grande do Norte. Aos oito anos, curioso, via meu pai trabalhar na comunicação do candidato a senador Radir Pereira, do MDB, derrotado pelo reeleito Jessé Freire, da Arena. Não existia marketing. Havia guerra pelos jornais, que viviam o auge.Páginas e páginas compradas pelas assessorias.

 

Ninguém votava para governador, o que ocorreu quatro anos depois à meia-boca. De forma vinculada, artimanha do bruxo Golbery do Couto e Silva, pensador da Ditadura, para evitar uma derrota acapachapante nos estertores do arbítrio. Quem escolhesse o candidato de um partido, teria que cravar em todos os outros da mesma legenda.

 

José Agripino venceu Aluizio Alves e sofreu oposição. País redemocratizado, Geraldo Melo derrotou João Faustino e enfrentou críticas. Com as quais José Agripino voltou a conviver de forma civilizada(respondendo no tom das acusações) ao voltar ao Governo, eleito em 1990 e assumindo em 1991.

 

Consagrado pelas urnas em 1994 e 1998, o hoje senador Garibaldi Filho governou o Rio Grande do Norte sob severa saraivada de parte da mídia. Seguiu em frente.

 

Ao ser eleita governadora em 2002, a ex-prefeita de Natal, Wilma Maria de Faria – que morreu em junho deste ano, tinha, de meios de comunicação, uma fila de Fiats com caixas de som transmitindo suas mensagens. No poder, conviveu com reações sérias e chantagens de picaretas contumazes, a quem dedicava o desprezo em longas baforadas de cigarro.

 

Criticada pela pobre gestão, a governadora Rosalba Ciarlini chegou a ser ridicularizada, levada às ruas em forma de boneco e fulminada nas redes sociais, especialmente pelo seu vice e seu exército. Não caiu em convulsões existenciais.

 

Hoje o Rio Grande do Norte vive a mais promíscua relação entre poder e gulosa parcela da mídia na história republicana.

 

Divulga-se a resposta, não o que a originou.

Divulga-se como calendário de pagamento, migalhas parceladas, os velhos vales de quase dois meses de atraso.

 

 

Não são todos, claro, mas muitos.

 

Quem discorda, precisa ser calado. Asfixiado profissionalmentre.

 

É um traço persecutório da personalidade coronelista de quem deveria governar.

 

Em nota oficial, carimbo da administração que não cuidou de evitar mais de 1500 mortes violentas, chegou-se ao cúmulo da estupidez contra inteligência humana: “O governador sempre teve com a imprensa uma relação de amizade”.

 

A amizade do jornalista legítimo é com os fatos e o jornalismo, por essência, é crítico. Foi quando o Chefão abriu a boca para dizer que a criminalidade era invenção ou responsabilidade, “da imprensa”. Aliás, um bom programa, sem custos de dinheiro público seria “Governador Calado Ganha Um Cruzado”.

 

Outro dia, o amigo, jornalista e blogueiro, Flávio Marinho – que não pediu reserva, queixou-se comigo, no meio da conversa ao telefone celular, que sua propaganda foi retirada do site por ter desgostado o governador em um postagem, governador “seu amigo de colégio e de uma patota conhecida como Turma do Podre, nos anos 1970 em Natal”.

 

Flávio Marinho não me desmentirá. É capaz até de ser chamado de volta para renegociar e me desancar. O que não faria.

 

O tempo do tempo real veda o personalismo na gestão das verbas. São públicas. A tática da asfixia para o silêncio ou a conivência, a compra de consciências, conquista servos que mudam na proporção camaleônica de quem senta na principal cadeira da Governadoria.

 

Jornalistas ou nem tanto, sofridos pela crise midiática que demite e transforma talentos em cuias de sobrevivência. Ou aperfeiçoa cínicos pela própria natureza.

 

Os podres – que só são podres pela tática de Goebbels, a víbora da divulgação nazista quando cometidos por adversários, voltam como bumerangues ou pela inflexível Lei do Retorno.

 

Por vias federais, com a imprensa nacional, fica difícil conciliar “parcerias”, disfarce para compadrio.

 

Nem Odorico Paraguaçu conseguiu calar a Trombeta, jornal de Neco Pedreira, na Sucupira fictícia da novela e da série O Bem Amado.

 

É buscar outras cartas para proteger o Rei embaralhado.

 

Pois a Rita não deve levar só o sorriso.