NATAL HÁ 40 ANOS

No dia 29 de agosto de 1977, Natal, com seus 300 mil habitantes, acompanhava pelas rádios e jornais a vitória do América sobre o Potiguar de Mossoró por 3×0 no Castelão em jogo de abertura do terceiro turno do Campeonato Potiguar, gols de Aluizio Guerreiro(2) e Marinho Apolônio.

Na política, o deputado estadual Garibaldi Filho(MDB), apresentava emenda ao Estatuto do Magistério incluindo gratificação aos professores da Zona Rural.

Já o deputado Nélson Queiróz(Arena), protestava pela falta de condições de trabalho aos parlamentares para atender suas demandas.

A polícia concluía inquérito apontando legítima defesa dos PMs que mataram o pistoleiro Zé Cearense, que fugiu da Delegacia de Plantão, baleou gravemente um soldado, atingiu outro até ser atingido por um terceiro.

O governador Tarcísio Maia anunciava a construção de 11 hotéis, entre os quais o Thermas, de Mossoró, dando início ao processo de interiorização do turismo no Rio Grande do Norte.

 

 

 

 

PODER E A “MÍDIA AMIGA”

Acompanho eleições desde 1978 no Rio Grande do Norte. Aos oito anos, curioso, via meu pai trabalhar na comunicação do candidato a senador Radir Pereira, do MDB, derrotado pelo reeleito Jessé Freire, da Arena. Não existia marketing. Havia guerra pelos jornais, que viviam o auge.Páginas e páginas compradas pelas assessorias.

 

Ninguém votava para governador, o que ocorreu quatro anos depois à meia-boca. De forma vinculada, artimanha do bruxo Golbery do Couto e Silva, pensador da Ditadura, para evitar uma derrota acapachapante nos estertores do arbítrio. Quem escolhesse o candidato de um partido, teria que cravar em todos os outros da mesma legenda.

 

José Agripino venceu Aluizio Alves e sofreu oposição. País redemocratizado, Geraldo Melo derrotou João Faustino e enfrentou críticas. Com as quais José Agripino voltou a conviver de forma civilizada(respondendo no tom das acusações) ao voltar ao Governo, eleito em 1990 e assumindo em 1991.

 

Consagrado pelas urnas em 1994 e 1998, o hoje senador Garibaldi Filho governou o Rio Grande do Norte sob severa saraivada de parte da mídia. Seguiu em frente.

 

Ao ser eleita governadora em 2002, a ex-prefeita de Natal, Wilma Maria de Faria – que morreu em junho deste ano, tinha, de meios de comunicação, uma fila de Fiats com caixas de som transmitindo suas mensagens. No poder, conviveu com reações sérias e chantagens de picaretas contumazes, a quem dedicava o desprezo em longas baforadas de cigarro.

 

Criticada pela pobre gestão, a governadora Rosalba Ciarlini chegou a ser ridicularizada, levada às ruas em forma de boneco e fulminada nas redes sociais, especialmente pelo seu vice e seu exército. Não caiu em convulsões existenciais.

 

Hoje o Rio Grande do Norte vive a mais promíscua relação entre poder e gulosa parcela da mídia na história republicana.

 

Divulga-se a resposta, não o que a originou.

Divulga-se como calendário de pagamento, migalhas parceladas, os velhos vales de quase dois meses de atraso.

 

 

Não são todos, claro, mas muitos.

 

Quem discorda, precisa ser calado. Asfixiado profissionalmentre.

 

É um traço persecutório da personalidade coronelista de quem deveria governar.

 

Em nota oficial, carimbo da administração que não cuidou de evitar mais de 1500 mortes violentas, chegou-se ao cúmulo da estupidez contra inteligência humana: “O governador sempre teve com a imprensa uma relação de amizade”.

 

A amizade do jornalista legítimo é com os fatos e o jornalismo, por essência, é crítico. Foi quando o Chefão abriu a boca para dizer que a criminalidade era invenção ou responsabilidade, “da imprensa”. Aliás, um bom programa, sem custos de dinheiro público seria “Governador Calado Ganha Um Cruzado”.

 

Outro dia, o amigo, jornalista e blogueiro, Flávio Marinho – que não pediu reserva, queixou-se comigo, no meio da conversa ao telefone celular, que sua propaganda foi retirada do site por ter desgostado o governador em um postagem, governador “seu amigo de colégio e de uma patota conhecida como Turma do Podre, nos anos 1970 em Natal”.

 

Flávio Marinho não me desmentirá. É capaz até de ser chamado de volta para renegociar e me desancar. O que não faria.

 

O tempo do tempo real veda o personalismo na gestão das verbas. São públicas. A tática da asfixia para o silêncio ou a conivência, a compra de consciências, conquista servos que mudam na proporção camaleônica de quem senta na principal cadeira da Governadoria.

 

Jornalistas ou nem tanto, sofridos pela crise midiática que demite e transforma talentos em cuias de sobrevivência. Ou aperfeiçoa cínicos pela própria natureza.

 

Os podres – que só são podres pela tática de Goebbels, a víbora da divulgação nazista quando cometidos por adversários, voltam como bumerangues ou pela inflexível Lei do Retorno.

 

Por vias federais, com a imprensa nacional, fica difícil conciliar “parcerias”, disfarce para compadrio.

 

Nem Odorico Paraguaçu conseguiu calar a Trombeta, jornal de Neco Pedreira, na Sucupira fictícia da novela e da série O Bem Amado.

 

É buscar outras cartas para proteger o Rei embaralhado.

 

Pois a Rita não deve levar só o sorriso.

PC DO B E A OPERAÇÃO QUE AMEDRONTA GOVERNO

Elogiável o comportamento do PC do B na crise da Operação Anteros, que incomoda o Governo do Estado. Culpa do STJ, não da “imprensa inimiga”. O vice-governador , camarada Fábio Dantas, dá uma aula de compostura. Na última vez que os comunistas fizeram barulho, na Intentona, a revolta de 1935, o poder durou três dias.

JORNALISMO E A VISITA DE LULA

A visita de Lula ao Rio Grande do Norte é outro triste epitáfio do jornalismo. É  multidão para os blogs ligados ao PT e ninguém para os inimigos do ex-presidente. Nenhuma cobertura correta, com cálculos de presença popular sempre feitos com base em regras da Polícia Militar.

Sobra para o consumidor de comunicação, obrigado a engolir agressões dos dois lados.

Além dos tabefes verbais na língua portuguesa.