DELATOR NO EXTERIOR

O empresário Fred Queiróz, delator do ex-ministro Henrique Alves, pode ir morar em Cingapura(e não na Austrália) onde reside um irmão. Por enquanto, hipótese. Tudo depende da decisão da Justiça Federal.

AMIZADE, DINHEIRO E DELAÇÃO

O caso de Fred Queiroz, delator do ex-ministro Henrique Alves e de uma penca de políticos,  consagra a frase de Michael Corleone, padrinho vivido por Al Pacino no último filme da trilogia O Poderoso Chefão. “Amizade e dinheiro, água e óleo”.

A confiança em Fred vinha dos anos 1990 e quase lhe garante a cadeira de vice-prefeito de Natal. Prestigiar amigos somente amigos ainda é um tabu para muitos na política.

Ainda sobre a delação, blogueiros resolveram amenizar com títulos suaves: Fred relaciona prefeitos; Fred lista prefeitos; Fred aponta políticos. Delator não relaciona, lista ou aponta. Delator dedura.

NATAL HÁ 40 ANOS

No dia 29 de agosto de 1977, Natal, com seus 300 mil habitantes, acompanhava pelas rádios e jornais a vitória do América sobre o Potiguar de Mossoró por 3×0 no Castelão em jogo de abertura do terceiro turno do Campeonato Potiguar, gols de Aluizio Guerreiro(2) e Marinho Apolônio.

Na política, o deputado estadual Garibaldi Filho(MDB), apresentava emenda ao Estatuto do Magistério incluindo gratificação aos professores da Zona Rural.

Já o deputado Nélson Queiróz(Arena), protestava pela falta de condições de trabalho aos parlamentares para atender suas demandas.

A polícia concluía inquérito apontando legítima defesa dos PMs que mataram o pistoleiro Zé Cearense, que fugiu da Delegacia de Plantão, baleou gravemente um soldado, atingiu outro até ser atingido por um terceiro.

O governador Tarcísio Maia anunciava a construção de 11 hotéis, entre os quais o Thermas, de Mossoró, dando início ao processo de interiorização do turismo no Rio Grande do Norte.

 

 

 

 

PODER E A “MÍDIA AMIGA”

Acompanho eleições desde 1978 no Rio Grande do Norte. Aos oito anos, curioso, via meu pai trabalhar na comunicação do candidato a senador Radir Pereira, do MDB, derrotado pelo reeleito Jessé Freire, da Arena. Não existia marketing. Havia guerra pelos jornais, que viviam o auge.Páginas e páginas compradas pelas assessorias.

 

Ninguém votava para governador, o que ocorreu quatro anos depois à meia-boca. De forma vinculada, artimanha do bruxo Golbery do Couto e Silva, pensador da Ditadura, para evitar uma derrota acapachapante nos estertores do arbítrio. Quem escolhesse o candidato de um partido, teria que cravar em todos os outros da mesma legenda.

 

José Agripino venceu Aluizio Alves e sofreu oposição. País redemocratizado, Geraldo Melo derrotou João Faustino e enfrentou críticas. Com as quais José Agripino voltou a conviver de forma civilizada(respondendo no tom das acusações) ao voltar ao Governo, eleito em 1990 e assumindo em 1991.

 

Consagrado pelas urnas em 1994 e 1998, o hoje senador Garibaldi Filho governou o Rio Grande do Norte sob severa saraivada de parte da mídia. Seguiu em frente.

 

Ao ser eleita governadora em 2002, a ex-prefeita de Natal, Wilma Maria de Faria – que morreu em junho deste ano, tinha, de meios de comunicação, uma fila de Fiats com caixas de som transmitindo suas mensagens. No poder, conviveu com reações sérias e chantagens de picaretas contumazes, a quem dedicava o desprezo em longas baforadas de cigarro.

 

Criticada pela pobre gestão, a governadora Rosalba Ciarlini chegou a ser ridicularizada, levada às ruas em forma de boneco e fulminada nas redes sociais, especialmente pelo seu vice e seu exército. Não caiu em convulsões existenciais.

 

Hoje o Rio Grande do Norte vive a mais promíscua relação entre poder e gulosa parcela da mídia na história republicana.

 

Divulga-se a resposta, não o que a originou.

Divulga-se como calendário de pagamento, migalhas parceladas, os velhos vales de quase dois meses de atraso.

 

 

Não são todos, claro, mas muitos.

 

Quem discorda, precisa ser calado. Asfixiado profissionalmentre.

 

É um traço persecutório da personalidade coronelista de quem deveria governar.

 

Em nota oficial, carimbo da administração que não cuidou de evitar mais de 1500 mortes violentas, chegou-se ao cúmulo da estupidez contra inteligência humana: “O governador sempre teve com a imprensa uma relação de amizade”.

 

A amizade do jornalista legítimo é com os fatos e o jornalismo, por essência, é crítico. Foi quando o Chefão abriu a boca para dizer que a criminalidade era invenção ou responsabilidade, “da imprensa”. Aliás, um bom programa, sem custos de dinheiro público seria “Governador Calado Ganha Um Cruzado”.

 

Outro dia, o amigo, jornalista e blogueiro, Flávio Marinho – que não pediu reserva, queixou-se comigo, no meio da conversa ao telefone celular, que sua propaganda foi retirada do site por ter desgostado o governador em um postagem, governador “seu amigo de colégio e de uma patota conhecida como Turma do Podre, nos anos 1970 em Natal”.

 

Flávio Marinho não me desmentirá. É capaz até de ser chamado de volta para renegociar e me desancar. O que não faria.

 

O tempo do tempo real veda o personalismo na gestão das verbas. São públicas. A tática da asfixia para o silêncio ou a conivência, a compra de consciências, conquista servos que mudam na proporção camaleônica de quem senta na principal cadeira da Governadoria.

 

Jornalistas ou nem tanto, sofridos pela crise midiática que demite e transforma talentos em cuias de sobrevivência. Ou aperfeiçoa cínicos pela própria natureza.

 

Os podres – que só são podres pela tática de Goebbels, a víbora da divulgação nazista quando cometidos por adversários, voltam como bumerangues ou pela inflexível Lei do Retorno.

 

Por vias federais, com a imprensa nacional, fica difícil conciliar “parcerias”, disfarce para compadrio.

 

Nem Odorico Paraguaçu conseguiu calar a Trombeta, jornal de Neco Pedreira, na Sucupira fictícia da novela e da série O Bem Amado.

 

É buscar outras cartas para proteger o Rei embaralhado.

 

Pois a Rita não deve levar só o sorriso.

PC DO B E A OPERAÇÃO QUE AMEDRONTA GOVERNO

Elogiável o comportamento do PC do B na crise da Operação Anteros, que incomoda o Governo do Estado. Culpa do STJ, não da “imprensa inimiga”. O vice-governador , camarada Fábio Dantas, dá uma aula de compostura. Na última vez que os comunistas fizeram barulho, na Intentona, a revolta de 1935, o poder durou três dias.

JORNALISMO E A VISITA DE LULA

A visita de Lula ao Rio Grande do Norte é outro triste epitáfio do jornalismo. É  multidão para os blogs ligados ao PT e ninguém para os inimigos do ex-presidente. Nenhuma cobertura correta, com cálculos de presença popular sempre feitos com base em regras da Polícia Militar.

Sobra para o consumidor de comunicação, obrigado a engolir agressões dos dois lados.

Além dos tabefes verbais na língua portuguesa.