ARTIGO VALÉRIO MESQUITA: A SOMA DE TODOS OS ERROS

Valério Mesquita*
Mesquita.valerio@gmail.com

As minhas sensações se revezam depressa. Por mais que me esforce, não consigo me fixar em coisa alguma. Se penso ou sinto algum tema, deduzo que tudo será esquecido e me calculo inútil. Esse prelúdio indefectível talvez chegue a algum lugar. Gostaria de denunciar, por exemplo, aquilo que muitos já fizeram: a deterioração institucional do país que teve quebrados todos os padrões éticos e estéticos.

A fragilidade e a inoperância dos poderes se tornaram tão patentes que já se comentam medidas autoritárias. Continuo pensando que é preciso urgentemente humanizar o político brasileiro. Ele mesmo animalizou os seus traços.

Quando me apetece voltar a suplicar às autoridades públicas e privadas a restauração do empório dos Guarapes, onde o pioneiro e gigante desbravador Fabrício Gomes Pedroza ambientou um dos mais avassaladores domínios comerciais de que se tem notícia no estado, recebe-se em troca repetidamente a leniência e a indiferença. Ai eu indago: pra que escrever mais? Pergunto-me se não estou me transformando em esteta contemplativo com uma tendência zen. Mas, continuarei lutando porque não é apenas um impulso da mente nem do corpo. Os “Guarapes” representam para aqueles que o ignoram, o equilíbrio entre a beleza e o passado.

Falar, por exemplo, das poças profundas de sangue que fluidificam a área metropolitana da grande Natal. Nela a juventude continua sendo executada nas ruas pelo cartel das drogas. Sinto que falecem os dons que me ligam a Macaíba, hoje, tão irreconhecível a ponto de não me rever mais em suas paredes e praças.

A fuga é dormir à distância, debaixo de qualquer céu, como diria o poeta. Minha terra padece de uma enfermidade física, orgânica, urbana, suburbana, sensível, visível, palpável chamada “comércio de droga” que tem escravizado e mutilado suas melhores tradições.

Poderia até discorrer sobre as opiniões e posturas dos políticos potiguares de hoje frente ao processo sucessório estadual de 2018, repleto de incertezas, decepções, melancolia, traição e maldição, que conduzem os personagens e eleitores a becos sem saída.

Os efeitos especiais empregados são improvisados. E parece que não há pressa em definir situações. Tudo deve ser queimado subrepticiamente a fogo lento. Tem gente gastando anos luz para compor o arquipélago da obra de chegar ao poder queimando incenso no velório da própria aliança.

Na política, sabemos que acidentes e incidentes nunca surpreenderam ninguém. Todos têm rostos e máscaras. Trata-se de uma peça de teatro onde o fascínio é exibido em prosa e gestos fesceninos. Que importa tudo isso, se depois da tempestade todos se unirão novamente para começar tudo de novo? O palco será o mesmo. Só muda a idade.

E o pugilo da saúde pública nos hospitais da capital? Esse merece veemente repulsa. É um libelo à competência dos administradores. A situação deplorável me infunde a convicção de que ninguém mais se comove com a dor humana. O melhor homem é o homem morto.

Vivo é desprezível. Doente e pobre, ele fede. Onde deveriam remunerar melhor, paga-se pior e se gasta menos. Hospital público é a antessala da morte iminente porque está desprovido das mínimas condições de higiene e serviços.

Denunciar o estado de calamidade não constitui o meu propósito. Mas, apenas, lembrar ao leitor que o ser humano coisificou-se. Deixou de ser carne inteligente. Hospital ¯ lugar de repouso e cura ¯ virou empório do estado, verdadeiro guardador de rebanho, onde o pobre, sem nenhum plano de saúde, tem defeito de circulação do sangue no corpo à alma. Abaixo os privilégios institucionais hoje praticados como intestinais! Tenho dito.

(*) Escritor

CAOS DA INSEGURANÇA: QUATRO ASSASSINATOS EM SEIS HORAS EM MOSSORÓ

Do jornalista César Santos em seu WattsApp:

O município de Mossoró registrou quatro homicídios em um espaço de seis horas entre a noite desta sexta-feira, 22, e a madrugada de sábado, 23, elevando para 236 mortes violentas registradas na cidade em 2017. Os crimes aconteceram nos bairros Aeroporto, Barrocas e Alto da Conceição.

Por volta das 20h20 duas mulheres foram mortas na Rua Felipe Camarão, próximo ao viaduto de saída para Apodi. Maria Ivanilda Bezerra da Silva, 29 anos, e uma mulher identificada apenas como Mayara morreram vítimas de disparos de pistola ponto 40 e 380.

Maria Ivanilda ainda foi socorrida por uma equipe do Samu para o Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), mas chegou morta a unidade hospitalar. Mayara morreu no local. Segundo informações, elas estavam paradas ao lado de uma motocicleta na via. Pouco minutos depois ouviu-se cerca de 20 disparos. A motocicleta ficou caída ao lado do corpo de uma das vítimas. Estes crimes foram os 234º e 235º homicídios no município.

Já a 236ª morte violenta do ano em Mossoró aconteceu no bairro Barrocas. Homens fortemente armados mataram a tiros Rodolfo Renarlly Afonso de Souza, 26 anos, e feriram seu filho.

O pai e a criança dormiam na sala de casa quando os criminosos invadiram a residência na Rua Zeca Cirilino. Segundo informações de populares, Rodolfo era acusado na morte de Benderson Johnny de Oliveira, de 29 anos, morto dentro de uma casa onde trabalhava como servente de pedreiro no ultimo dia 20. Benderson foi atingido com 06 disparos de revolver e 11 cutiladas de faca peixeira e morreu no local.

A policia não confirmou as informações, do envolvimento de Rodolfo na morte de Benderson, mas deverá ouvir testemunhas para esclarecer os dois crimes.

A criança foi atingida com um disparo na região das nádegas. Ela foi socorrida pela própria policia militar para o Hospital Regional Tarcísio Maia e aparentemente não corre risco de morte. A mãe do garoto e outra senhora que também dormiam da casa nada sofreram.

Na madrugada deste sábado, 23, houve o 237º homicídio na cidade. A vítima foi identificada como Carlos Germano, 17 anos. Ele foi morto a tiros dentro de uma casa na Rua Cunha da Mota, no bairro Alto da Conceição. O crime aconteceu por volta das 02h20.

Os policiais que atenderam a ocorrência localizaram o jovem caído na sala da residência. Ao lado do corpo foi encontrado uma espingarda calibre 12 de fabricação artesanal, com um cartucho deflagrado.

Populares informaram que o adolescente tinha envolvimento com ilícitos, mas não existe registro de passagem dele pelo sistema prisional.

Fonte: defato.com

PROCURADOR CONTRA LIBERAÇÃO FEDERAL PARA PAGAR SALÁRIOS

Procuradoria de Contas do TCU emitiu parecer contra liberação de R$ 600 milhões pelo Governo Federal para pagamento de salários.

Aviso explícito: pagou será acusado de crime de responsabilidade.

Os pobres funcionários públicos, de todas as categorias, de sindicatos a policiais, amargam o azedume do desespero.

 

 

POLICIAIS CIVIS BATEM DURO NO GOVERNO

Apagar incêndio com querosene é uma marca da genialidade de asno dos pensadores do Governo do Estado.

Primeiro, preferiram trocar a PM pela Força Nacional, que conhece o Rio Grande do Norte como eu sei como é cada palmo da Líbia. Ou da Síria.

Depois, entrou com ação para judicializar a paralisação dos policiais. Perdeu. O desembargador Dilermando Mota negou o pedido.

Os policiais civis emitiram nota. A relação azedou.

NOTA

O SINPOL-RN, entidade que representa os policiais civis e servidores da Segurança do Rio Grande do Norte, vem a público repudiar a atitude do Governo do Estado em acionar a Justiça contra as categorias que reivindicam o pagamento dos seus salários.

O Sindicato ressalta que os policiais civis não deflagraram movimento grevista em nenhum momento e sim decidiram se mobilizar para cobrar do próprio Governo a garantia do direito básico do trabalhador, que é o salário em dia.

São 22 meses seguidos de constantes atrasos. Até o presente dia, os policiais civis ainda não receberam seus salários de novembro. Além disso, o Governo do Estado, cometendo uma ilegalidade, não cumpriu a data limite de pagamento do 13º, postergando o pagamento para o mês de janeiro.

Ou seja, as categorias estão com dois pagamentos atrasados e, por isso, não têm condições de exercerem suas atividades com normalidade. O servidor precisa do seu salário para comer, para honrar com suas dívidas e para se locomover para o trabalho. São necessidades básicas que estão comprometidas.

Muitos policiais civis se apresentaram na Degepol tendo em vista a ausência de condições financeiras para se deslocarem para as delegacias onde estão lotados, assim como Agentes e Escrivães que trabalham no interior estão se apresentando nas delegacias regionais, sem paralisação das atividades.

Essa medida foi adotada única e exclusivamente em decorrência do atraso de salários, ou seja, a responsabilidade da mobilização da categoria é do próprio Governo.

O SINPOL-RN, enquanto entidade representativa, por próprio dever constitucional, precisa atuar na defesa dos direitos e interesses dos seus representados.

Por isso, tem realizado assembleias diariamente com os policiais civis e servidores da Segurança para ouvir as demandas e anseios das classes. Acontece que, diante do atual cenário, a situação chegou ao limite e se tornou insustentável.

Então, os policiais civis passaram a se apresentar na Delegacia Geral, em Natal, e nas delegacias regionais no interior. O SINPOL-RN frisa que eles não estão se furtando de trabalhar, ao contrário disso, estão cobrando seus salários para que tenham condições de atender a população e de realizar suas investigações, diligências e operações.

DESEMBARGADOR NEGA PEDIDO DO GOVERNO E PARALISAÇÃO DA PM CONTINUA

O Governo do Estado tentou tornar ilegal a paralisação dos policiais militares, mas o desembargador Dilermando Mota  decidiu que  não. O magistrado entendeu que o movimento não é irregular e negou o pedido do Governo.

FORÇA NACIONAL COM DIÁRIAS, PM SEM SALÁRIOS

Enquanto os policiais e suas famílias sofrem na falta de salários, cada um dos 70 homens da Força Nacional enviados pelo Governo Temer ganha 200 reais e 60 centavos de diárias.

Toda ajuda é bem-vinda, mas a estratégia está apenas aumentando a revolta dos policiais militares e fechando o caminho do diálogo.

AFONSO PENA VIRA PASSARELA DA BANDIDAGEM

Considerada a Oscar Freire(perímetro comercial dos ricos) de São Paulo, aqui em Natal, a avenida Afonso Pena virou passarela dos ladrões.

Ataques sistemáticos dos bandidos ocorrem desde o início da greve dos policiais por salários justos.

Depois do arrombamento da Drogaria Paiva, invadiram a Loja Lacoste no CCAB Norte e as Lojas Americanas.

“REVOLTA NA PM É GENERALIZADA”, DIZ OFICIAL AO RELATAR CASOS DRAMÁTICOS

Do presidente da Associação dos Oficiais da Políciais Militares, Major Moreira, em comunicado aos colegas:

Srs oficiais Boa Noite!

O MP vem tentando intermediar a crise estabelecida no estado, principalmente no que diz respeito a segurança pública.

Nos reunimos ontem dia 20/12 e hoje dia 21/12, não temos nenhuma proposta diferente da que o sr governador anunciou.

Hoje a tarde, as associações representativas de militares visitaram algumas unidades, conversamos com os militares e percebemos que a revolta está generalizada, todos sem exceção disseram que não irão aceitar o calendário divulgado pelo governo.

Alguns relatos como:

1. “A Rocam  está há 10 anos sem receber botas, nesse mês vou receber as minhas férias, aí meu salário passou um pouco de 4 mil reais, vou passar um Natal de fome, saí de casa hoje e tava faltando açúcar, não vou me submeter a isso, só voltaremos quando o governo nos der o mínimo de respeito”;

2. “Se é mais fácil o governo da segurança acionar as FFAA do que empenhar esforço na sua força de segurança, deixem, ele deve saber o que está fazendo”;

Portanto, não temos novidades alguma em termo de negociações com o governo, apenas que com o pagamento de 3 mil reais o governo tenta dividir a nossa instituição, desprestigiando, desrespeitando e considerando como de pouca importância no cenário da segurança pública, os oficiais e sargentos que ganham um pouco mais de 3 mil reais por mês, mas pelo visto, essa atitude do governo só servirá para unir mais ainda todos nós militares, pois o que ouvi dos cabos e soldados hoje, é que não existe diferença entre oficiais, praças, reserva e pensionistas.

Continuamos aguardando os próximos acontecimentos!

Boa noite!”

 

DONOS DE SUPERMERCADOS APOIAM SERVIDORES E COBRAM SEGURANÇA

NOTA

A Associação dos Supermercados do Rio Grande do Norte (ASSURN) vê com preocupação as ações criminosas que estão ocorrendo em Natal nos últimos dias.

No momento em que a entidade se solidariza com os servidores públicos, que estão com os seus salários em atraso, também se preocupa com a insegurança causada pela paralisação de parte dos agentes de segurança do estado.

Insegurança esta que causou prejuízos a atividade supermercadista em pelo menos dois estabelecimentos associados e outras lojas do comércio da cidade, além de causar tensão na sociedade.

 

Esperamos que os órgãos responsáveis tomem as medidas necessárias de forma urgente e efetiva para que possamos retomar as nossas atividades com segurança neste momento tão importante para o comércio e para os clientes.

Diretoria ASSURN

Associação dos Supermercados do Rio Grande do Norte

TRÁGICO: UM MÉDICO E O HOSPITAL WALFREDO GURGEL DOENTE

Depoimento do médico Sebastião Paulino, um verdadeiro herói do Hospital Walfredo Gurgel. O Governo pode até ler. Mas certamente sorrirá, como as hienas impunes:

“O maior hospital público do Rio Grande do Norte, paradoxalmente, cavalga ofegante e sem um “norte”.

Muitos de seus súditos suplicam por uma aposentação especial, vez que já adernaram o próprio sangue, o suor e a saúde, salvando vidas e atenuando o sofrimento dos que gemem de dor.

Em um lamento tristonho e silencioso, pouco a pouco, vão ocupando o mesmo limite de chão que pertenceu a outro, durante o dia de ontem.

Faltam-lhes remédios, lençóis, alimentos e calor humano.

Amigas, amigos e colegas de plantões suplicam por socorro. Já não conseguem exercer o ofício escolhido com dignidade.

Muitos sufocaram o choro incontido, ignoraram a vergonha e saíram mendigando algumas moedas que lhes garantissem o retorno ao trabalho no dia seguinte.

Corredores com exorbitância no número de macas; leitos sendo desativados e a vida indo embora, dia após dia, com uma intensidade que surpreende e causa extrema indignação.

No ambiente familiar já não há o “sustento” que havia no passado.

A vida adoeceu… a falta do alimento ensejou a mendicância.

O “Natal em família” de muitos, bem diferente do passado, será tão somente um momento de jejum e oração.

Nunca, em momento algum, durante toda a minha vida profissional, vi um “fim de ano” tão marcante para o Servidor Público. Inesquecível!

Esta é a dura realidade dos grandes hospitais públicos do nosso Estado.

Não fosse pelas vidas salvas, não faria sentido tanta luta.

O riso transformou-se em lágrimas e a gratidão virou revolta.

Que Deus nos abençoe!”

Sebastião Paulino da Costa.
Médico: CREMERN 2495
Advogado: OAB/RN 2994