VIDA DE POLÍCIA: PITOMBAS, TIROTEIO E UM PADRE

Lenarte Azevedo*

 

Dessa vez vou contar uma história da qual não sou protagonista, mas aconteceu com um grande amigo meu.

Vocês irão perceber que basta entrar em uma viatura para sermos arrebatados para experiências extravagantes e perigosas.

Um jovem oficial, que servia no BPChoque, após o almoço resolveu ir ao Batalhão escovar os dentes e lavar o suor do rosto.

Caminhando pelo estacionamento viu, maravilhado, uma pitombeira recheada. Decidiu levar um volumoso cacho para sua amada esposa, mimos de recém-casados.

A guarnição se recompôs e saíram do quartel. O disse para o motorista guiar para a sua residência.

Contudo, o militar não sabia que o tenente havia se mudado após o casamento, e tomou o rumo de sua casa de solteiro.

Antes que pudesse acertar a nova rota, estavam em frente a uma agência bancária, quando uma dupla saltou numa motocicleta, após de realizar uma “saidinha”. Ao observar a viatura, saíram em disparada.

Começou uma “perseguição”, o motorista – um dos melhores – avança sobre a moto para deixar os policiais em posição de disparo.

Os assaltantes entram no túnel pela contramão, os PMs vão no encalço, um dos bandidos saca uma pistola e atira, os militares revidam.

A moto cai ao solo derrapando, um bandido está desacordado e outro ferido no pé, cédulas são levadas pelo vento que sopra forte, os transeuntes abismados com a cena, os policiais cheios de adrenalina.

Apareceu uma SAMU, constatou a morte de um dos infratores e socorreu o outro. De repente, surgiu um padre vestido a caráter e deu o sacramento ao morto. O dinheiro esvoaçante foi recolhido e entregue ao dono, não faltou sequer um real.

Vida de polícia.

* Lenarte Azevedo é capitão da Polícia Militar/RN

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