VIDA DE POLÍCIA: QUANDO A BALA CANTA

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Lenarte Azevedo*

Era criança e lembro de  uma novela chamada Éramos Seis. Uma cena ficou na minha memória.  Umdos personagens havia se alistado para lutar durante a revolução e perguntava a si mesmo se na hora H teria coragem de atirar.

Sempre me perguntei a mesma coisa.

Eis que ainda aspirante, houve um roubo em nossa área, os assaltantes levaram tudo de uma residência e fugiram na camionete da família. Poucos dias após o ocorrido, o veículo aparece em um galpão na Zona Sul de Natal.

Montamos uma campana e esperamos pelos assaltantes, mas a coisa ficou mais demorada do que imaginávamos, viramos a primeira noite em claro e ninguém vinha buscar o carro. Mais um dia dentro de um veículo descaracterizado a espera dos bandidos e nada.

Ao cair da noite, nem nós  mesmos aguentávamos os nosso cheiro insuportável.

No terceiro dia,  pela manhã, como que em um milagre,  a quadrilha surgiu para buscar o automóvel. Estavam em uma camionete de vidros fumê e todos fechados.

Então saímos do carro e abordamos o veículo suspeito, quando escuto o estampido de um tiro vindo de lá.

Sem pensar fiz o que deveria fazer, revidei, todos os outros policiais também atiraram.

Durante a ação parece que o tempo passa em slowmotion, mas em poucos segundos tudo terminou quando os quatro assaltantes pularam da camionete se jogando ao chão e pedindo pra parar.

Após respirar fundo e ver que todos estavam bem lembrei da cena da novela, fiquei satisfeito por conseguir cumprir meu dever.

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